Miriam Batucada – Amanhã Ninguém Sabe (1974)

Miriam Batucada, paulista, nascida Miriam Angela Lavecchia, iniciou sua carreira em 1967 no programa de Blota Jr. na TV Record, em uma apresentação tão marcante que lhe garantiu um contrato com a TV Record e de quebra conseguiu Marcos Lázaro como seu empresário (Marcos Lázaro era, na época, um dos principais empresários de música no Brasil, agenciando, por exemplo, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Maria Bethânia e Chico Buarque). Foi batizada de Miriam da Batucada pela jornalista Cidinha Campos durante uma apresentação na TV, devido a sua principal marca ser a batucada em instrumentos musicais e outros objetos com duas mãos. Posteriormente, a cantora reduziu para Miriam Batucada

Seu primeiro disco foi um compacto (raríssimo) em 1967, com as faixas Batucando na Mão (Renato Teixeira) e Plác-Tic-Plác-Tic (Waldemar Camargo/Walter Peteleco).

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Em 1971, participou do disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, com Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Edy Star, cantando as faixas Chorinho Inconsequente (Sérgio Sampaio/Erivaldo Santos) e Soul Tabarôa (Antônio Carlos Pinto/Jocafi).

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Seu primeiro disco completo só viria em 1974, com o título Amanhã Ninguém Sabe.

Miriam Batucada

Em 12 canções, Miriam Batucada explora um repertório que vai de Lupicínio Rodrigues a Chico Buarque (autor da faixa-título). O disco tem espaço para o bom humor e irreverência com  as divertidas Acertei no Milhar e Tudo em P, e até para uma versão  em samba para O Show Já Terminou de Roberto e Erasmo, gravada pelo rei no mesmo ano. Mas nem tudo é riso, o álbum possui, também, a melancolia de Felicidade e uma interpretação bem menos festiva que as originais de Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua e Amanhã Ninguém Sabe. Veja a lista de faixas do LP (com links para o youtube):

LADO A

1. O Que Vier Eu Traço (Alvaiade / Zé Maria)
    Teco-Teco (Pereira Costa / Milton Villela)
2. Chuá, Chuá (Pedro de Sá Pereira / Ari Pavão)
3. Apanhei Um Resfriado (Leonel Azevedo / Sá Róris)
4. Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
5. Meu Romance (J. Cascata)
6. Você É Seu Melhor Amigo (Míriam Batucada)

LADO B
1. Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua (Sérgio Sampaio)
    Amanhã Ninguém Sabe (Chico Buarque)
2. Acertei no Milhar (Wilson Batista / Geraldo Pereira)
3. Você Vai Se Quiser (Noel Rosa)
4. Tudo Em P (Jorge Nóbrega / Ângelo Delatre)
5. Conversa de Samba (Denis Brean / Osvaldo Guilherme)
6. O Show Já Terminou (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

Fora de catálogo durante décadas (as cópias do LP de 1974 são encontradas nos sebos pelo valor médio de R$ 150,00), Amanhã Ninguém Sabe foi remasterizado e lançado em CD em 2002, pela série Clássicos Warner., remasterizado a partir das fitas originais e com a mesma ordem de faixas do LP. Atualmente o CD também se encontra fora de catálogo.

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Sambista de primeira, Miriam representa a essência do samba paulista. Miriam Batucada só gravaria novamente um álbum completo em 1991.

Para Baixar e Ouvir:

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 4, 3, 2, 1

Quando João Ubaldo Ribeiro morreu, lembrei que não havia terminado esse ranking. Como não vou mesmo fazer 4 posts diferentes, vai um resumo rápido das primeiras posições:

4 – A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro

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“Senti uma dor fina e quase um estalo, cheguei a querer deslizar de costas pelo colchão acima”

Indicado por uma amiga, peguei este livro já sabendo do que se tratava. O que tornou a leitura tão interessante foi o fato de eu perceber que, apesar de ser tão liberal, fiquei assustado com tamanha liberdade sexual da protagonista (sim, me envergonho muito disso) e confesso que até com um pouco de inveja. Certa vez me disseram que sou reprimido sexualmente (vou deixar isso sem contexto mesmo) e lendo A Casa dos Budas Ditosos, descobri que faz sentido.

3 -1Q84 Vol. 1 – Haruki Murakami

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“Você não acha que os meus peitos são grandes demais?”

Esse foi um daqueles livros que comprei só porque a crítica elogiou. Li os dois primeiros volumes  da trilogia em 2013, até pensei em colocar os dois juntos, mas o volume 1 me impressionou muito. Talvez por terminar a leitura do primeiro livro e ficar formulando teorias do que poderia acontecer com Aomame e Tengo, tentando imaginar como as duas histórias, até então aparentemente sem envolvimento algum, ficariam entrelaçadas. Confesso que algumas soluções para interligar as duas tramas no volume 2 me pareceram forçadas, mesmo assim não prejudicou a história.

2 – O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

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“Tombou devagarinho como tomba uma árvore”

Só aos 27 anos parei pra ler O Pequeno Príncipe, somente porque uma amiga leu e disse que lembrou de mim, mas nunca explicou o motivo. Achei o livro lindo, lembrei que há uns poucos anos eu ainda tinha esse espírito infantil, mas com o passar do tempo e problemas da vida adulta, acabei deixando de lado essa maneira mágica de enxergar o mundo. Cheguei a emprestar pra algumas crianças e adolescentes (entre 11 e 16 anos) e fiquei muito triste por praticamente nenhum deles ter se identificado. Pelo menos minha sobrinha de 4 anos adorou.

1 – A Tormenta de Espadas – George R. R. Martin

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“O que é verdade para os irmãos é ainda mais verdade para ela”

Quando li A Tormenta de Espadas, se tornou meu livro favorito imediatamente (posto antes ocupado por A Pequena Fadette, mas fiquei decepcionado ao descobrir que li uma versão reescrita, a versão original não me agradou nem um pouco, acabou sendo minha pior experiência literária no ano passado). Pode ter sido porque o livro de surpresas, ou porque li as últimas 400 páginas em apenas uma noite. O ritmo alucinante deste livro foi uma experiência totalmente nova, nunca havia experimentado algo do tipo. Neste ponto da saga as coisas começam a ficar bem complexas e confesso que não lembro de muita coisa, mas lembro de ir dormir às 4 da manhã por não aguentar esperar até o outro dia pra saber como terminar. Se isto não fosse suficiente, o livro tem o melhor epílogo que já li na vida.

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 5 – Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera

“Eu? Nem fudendo. Só fumando como um desgraçado e bebendo sem parar”

Ano passado comecei a me interessar mais um pouco pela literatura brasileira contemporânea. Escolhi Barba Ensopada de Sangue para marcar esse aumento de interesse (aparentemente todo mundo fez isso, já que esse foi o livro mais pop de 2013).

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Nunca tinha lido nada do Daniel Galera (na verdade, só li esse e um livro de contos), não sabia bem o que esperar, mas pelo que tinha lido a respeito era um livro visceral, um livro pra macho! Tanto pela questão da violência quanto pelo sexo.

A história se passa em Garopaba, uma espécia de Algodoal de Santa Catarina. O protagonista tem uma doença raríssima que faz com que ele não lembre o rosto das pessoas e isso provoca situação engraçadas e constrangedoras. Logo no início (uma espécie de carta falando sobre um homem que era quase um mito) o livro deixa dúvidas quanto a ser interessante ou não (na verdade eu só entendi a tal carta depois que li todo o livro), mas na página seguinte já mudamos de ideia.

Não há necessariamente uma identificação com o protagonista, mas a história é muito envolvente, lembro que li em poucos dias, não conseguia largar o livro. Talvez o que mais tenha me chamado atenção seja a coragem de deixar toda uma vida pra trás e começar do zero num local totalmente novo onde você é totalmente desconhecido. Há alguns anos eu tinha muita vontade de fazer, mas faltava coragem.  Hoje em dia eu tenho a coragem, mas não há mais necessidade de fazer isso.

Sobre o livro em si, a narrativa é bem cinematográfica (talvez já tenha sido escrito com essa intenção mesmo, o livro mal tinha sido lançado e já havia uma adaptação pro cinema sendo preparada), o que pra algumas pessoas pode empobrecer a experiência, mas nesse caso só ajuda a tornar a leitura mais ágil, não tive problemas com isso. As notas de rodapé são ótimas, uma ideia muito boa inserir acontecimentos acessórios como telefonemas, sonhos, e-mails, mensagens sem quebrar a narrativa, mas também sem deixar de mostrar o conteúdo. Fiquei curioso pra saber a opinião da população de Garopaba sobre o livro.

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 6 – Mrs. Dalloway – Virginia Woolf

“Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar flores”

Quando assisti Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, filme que gostei muito, não fazia ideia de quem era a tal Virginia Woolf. Uma pesquisa rápida e dá pra descobrir muita coisa, decidi colocar algum dos livros dela na minha lista de leitura, o escolhido aleatoriamente foi Mrs. Dalloway.

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Comprei o livro e deixei guardado, esperando na fila, pois tinhas coisas muito mais urgentes pra ler. Até que agora em 2013 dei uma chance.

A primeira coisa que vi ao abrir o livro foi um mapa da zona central de Londres na década de 1920, o que já me deixou empolgado (adoro mapas!). A apresentação da edição que comprei foi feita por Marília Gabriela, o que diminui minha empolgação. Não que eu tenha algo contra a jornalista, não tenho, mas quando ela escreveu “li este livro pela primeira vez em 1980 e nunca mais fui a mesma“, achei que seria uma observação um tanto exagerada.

O livro começa com a citação no início do post e vamos acompanhando o percurso de Mrs. Dalloway até a floricultura. Você começa a entrar na mente dela, a ler seus pensamentos, quando, sem que você perceba, a ação continua, mas você não está mais lendo os pensamentos dela, mas de outro personagem. Isso acontece durante todo o livro!

Algumas páginas depois, estou lendo e de repente percebo que, mesmo lendo com bastante atenção, não estou mais na mente do personagem, estou divagando em meus próprios pensamentos. Virginia Woolf utiliza o fluxo de pensamento, é como se essa técnica disparasse algo em seu cérebro que faz com que ele comece a lançar pensamentos aleatórios descontroladamente. Por diversas vezes tive que voltar a ler certos trechos por causa disso. Inicialmente minha reação era de raiva, irritação, quando cheguei na metade do livro pensei em desistir, mas ao mesmo tempo a experiência estava tão interessante que eu não consegui. Algumas páginas depois, percebi que na verdade eu estava adorando tudo aquilo, mesmo sendo um tanto doloroso.

Ao me aproximar do final da leitura, comecei a me sentir estranho. Por um lado, seria ótimo acabar logo com essa tortura que é ler fluxo de consciência, por outro, eu tinha quase certeza de que jamais experimentaria algo parecido, pois não sabia se ainda teria coragem de ler algo do tipo. Acabei colocando outros livros dela na lista de leitura, não sei quando vou ler. Também não sei se lerei novamente este livro, falta um pouco de coragem.

Ao encerrar a leitura, lembrei das palavras de Marília Gabriela e descobri que eu também nunca mais seria o mesmo após a leitura. A história é boa, mas o que marcou aqui foi mais a técnica, isso pra mim é novidade.

No início do post falei que não sabia nada a respeito da autora. Minha ignorância era tanta que eu assisti As Horas, adorei o filme, mas não sabia que a Virginia do filme é esta mesma Virginia, muito menos sabia que o livro do qual o filme trata é este aqui. Terei que assistir novamente como se nunca tivesse visto.

Soube hoje que já existe uma adaptação britânica pro cinema, Mrs. Dalloway (1997). Acho que o impacto não é o mesmo, mas talvez assista por curiosidade.

Fiquei curioso para ler a tradução feita pela Denise Bottmann. Segundo a entrevista que li dela sobre o trabalho de tradução, tem toda uma questão de estilo e cadência do texto que a tradução do Mario Quintana não preserva. Quer dizer então que o negócio fica ainda mais interessante?

Obs.: Descobri AGORA o diário de tradução da obra. Provavelmente vou reler mais cedo do que imaginava.

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 7 – O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger

“Se você está com vontade de fumar, que tal dar uma chegadinha no banheiro, bem?”

citação aleatória

Sempre tive curiosidade de ler O Apanhador no Campo de Centeio pra entender porque o livro é tão famoso (o que acarreta num preço um tanto alto e estoques esgotando com rapidez em várias livrarias). Eu sabia que a história envolvia um típico adolescente rebelde que se dá mal na escola, mas não pude ficar desapontado ao começar a ler e me deparar com uma narrativa inicialmente chata, porém a decepção não continuaria durante todo o livro.

o-apanhador-no-campo-de-centeioEssa temática adolescente, sobretudo os rebeldes, me interessa muito. Trabalho com adolescentes desde os 21 anos (praticamente ainda estava no caminho pra me tornar adulto), sempre tive um diálogo muito aberto e franco  com eles (talvez franco até demais) e nunca tive medo de ficar tão próximo quanto possível. Em outras palavras, sempre tratei os adolescentes com quem trabalho como trato qualquer outra pessoa (interessante que já fui criticado por adotar essa postura, mas não é o tema aqui). Talvez por esse histórico, a leitura deste livro tenha sido tão positiva e a escrita pouco elaborada não tenha me incomodado.

O protagonista Holden é visto pela família e pela escola como um adolescente problemático, já foi expulso de outras escolas, o tipo de aluno cujos pais chegam com a gente dizendo “não sei mais o que fazer com esse menino!” e às vezes até choram. Já me vi diante dessa situação várias vezes e, exceto em casos extremos, meu lado psicólogo acaba falando mais alto e me vejo tentando entender o que se passa na mente do aluno. Tento me aproximar, passar confiança e tudo, mas não invado o espaço de ninguém sem permissão. Fazendo uma estatística grosseira, isso funciona em 80% dos casos, sobretudo com alunos do sexo masculino, fica mais fácil uma aproximação quando a linguagem já é próxima da sua. Já os outros 20%, infelizmente não tenho como entender mesmo.

Holden é um caso muito mais fácil de compreender, afinal, é ele mesmo que nos conta a história. Percebemos todas as frustrações, as raivas, a decepção consigo mesmo, uma certa sensação de fracasso por saber que faz as coisas do modo errado, mas simplesmente não conseguir fazer de outra maneira. O sentimento que ele nutre pelo professor, pela irmã, a admiração pelo irmão, os sonhos, tudo isso ajuda a humanizar o personagem e nos faz pensar que um aluno que vai pra escola só pra bagunçar talvez utilize isso como válvula de escape, talvez não, mas não há como saber sem investigar.

A história em si é bem simples, dá a sensação de que foi escrito aos trancos e barrancos no decorrer de uma noite, se fosse um filme não teria média maior do que 6,2 no imdb. O constante uso de gírias que caíram em desuso (o  livro se passa em 1949) torna a leitura um pouco maçante, talvez minha leitura com ênfase pedagógica tenha salvado o livro.

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 8 – O Jogo da Amarelinha – Julio Cortázar

“O simples fato de você estar à minha esquerda e eu à sua direita já faz da realidade pelo menos duas realidades”

citação aleatória do livro

Obviamente o que me fez querer ler O Jogo da Amarelinha foi a história de que existem duas formas de se ler e cada forma teria uma história diferente. A primeira, seguindo a ordem tradicional, encerrando no capítulo 56; a segunda, iniciando no capítulo 73, pulando em seguida para o capítulo indicado ao final do capítulo lido. Escolhi a segunda  opção, talvez não tenha sido uma escolha muito inteligente.

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O protagonista é Horacio Oliveira, escritor argentino que me fez lembrar de Ernest Hemingway e Woody Allen (já seriam motivos suficientes pra eu parar de ler o livro). Horacio se acha melhor que os outros, mais inteligente que os outros, mais europeu que os outros, melhor escritor que os outros. Acredito que seja o personagem literário por quem mais senti ódio até hoje, a ponto de tornar a leitura dolorosa e quase insuportável. Pra piorar a situação, senti uma afeição imensa por Maga, por quem ele aparenta nutrir um certo desprezo, já que ela não está no mesmo nível intelectual que ele.

É meio revoltante ler alguém se vangloriando, menosprezando todo o resto do universo e se considerando quase um Deus, quando na verdade o sujeito é apenas um arrogante fracassado. Conheço pessoas com perfil muito parecido, mas uma coisa é você conviver com alguém assim e poder se afastar quando quiser, outra muito diferente é entrar na mente de alguém com essas características. O livro é tão bem escrito que a vontade que eu sentia era rasgar as páginas em que Horacio fala alguma coisa, uma a uma.

Mas nem só de Horacio vive o livro. Um dos momentos mais interessantes é uma reunião do Clube da Serpente, um clube em que eles bebem vinho, conversam sobre assuntos extremamente pedantes e ouvem jazz e blues. Ao longo da leitura ficamos sabendo que músicas eles estão ouvindo, com citações de partes das letras. Esse foi meu primeiro livro do Cortázar, não fazia ideia de como a obra dele tem tantas influências jazzísticas (na verdade, comprei o livro completamente no escuro, nem sabia do que se tratava).

Em 2001 foi lançada uma espécie de trilha sonora do livro, contendo as músicas que eles escutam na reunião mencionada. Óbvio que eu baixei pra ouvir enquanto leio, porém, isso foi uma péssima ideia! Se enquanto eu estava apenas lendo o livro já estava melancólico, quando acrescentei a trilha sonora fiquei realmente triste. Pra falar a verdade, até hoje fico assim quando escuto Body and Soul do Coleman Hawkins, ou mesmo quando lembro da música.

A segunda parte do livro, quando ele retorna pra Argentina, é um pouco menos intensa. Seria a parte na qual, em condições normais, Horacio se redimiria, mas isso não acontece. Nessa parte apenas confirmamos que ele é um grande filho da puta e ficamos torcendo pra que ele tenha o final que merece, o que também não acontece. É bem verdade que ele não recebe um final feliz, mas nem de longe é o que meu lado conservador acredita ser suficiente (sim, todos temos um ladinho conservador).

Ainda fico na dúvida se quero ler novamente ou não. Caso eu leia, dessa vez será na ordem normal, não tenho estrutura psicológica pra ler no modo hard novamente. Talvez não faça muita diferença, pois eu já sei quais os pensamentos e leituras de cada personagem, ou talvez a experiência numa segunda vez nem seja tão assustadora. De qualquer forma, por enquanto vai ficar guardadinho, num local onde eu nem mesmo possa ver.

Obs.: É interessante ler este livro em público. Como é preciso avançar e retroceder as páginas o tempo inteiro pra seguir a ordem de leitura proposta pelo autor, as pessoas ficam te observando, algumas até apontam.

 

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As 10 Melhores Experiências Literárias de 2013: 9 – A Guerra dos Tronos – George R.R. Martin

“O membro viril cintilava de umidade”

citação aleatória do livro

Comecei a ler As Crônicas de Gelo e Fogo porque uma amiga praticamente me obrigou. Eu nem sequer assistia a série, tinha preguiça, mas comecei a assistir depois que vi o vídeo de reações dos telespectadores a um episódio da 3ª temporada. No final foi uma boa ideia, a saga é boa, a série também, mas a série tomou um rumo menos interessante que os livros.

Ao invés de comentar sobre o livro, vou comentar a respeito de cada um dos pontos de vista, do menos preferido para o mais preferido ao final da leitura.

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Sansa Stark

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CHATA CHATA CHATA CHATA.

Sansa é uma patricinha bem nascida que não vê a hora de arranjar um macho rico e bonito que sustente seus caprichos. Além disso, qualquer homem bonitinho e de armadura já faz brotar um fogo instantâneo na bacurinha, e se considerarmos que ela só tem 12 ou 13 anos o negócio fica pior ainda. Quando sua mão é prometida ao futuro rei e o pai a leva pra Porto Real, a menina sente como se todos os problemas tivessem acabado, tadinha =).

O problema de Sansa nem é só a chatice, ela também é burra demais. O único fator positivo é que é divertido ver como ela nunca aprende a lição, mesmo se dando mal em todo santo capítulo! Isso acaba fazendo com que ela seja inesquecível.

Eddard Stark

Eddard Stark era um dos motivos pra eu não querer ler a saga. Na primeira temporada da série ele foi o grande destaque, e não gostei do personagem, não me cativou. Pra falar a verdade, achei divertidíssimo o enforcamento dele, principalmente porque o passo final foi dado pela filha dele, a chata ali de cima.

Toda aquela história de honra e etc, ele se achar tão perfeito num meio em que todos são corruptos, tudo isso é irritante. Em alguns dos outros livros, não lembro qual, Jaime dá a exata descrição do que eu penso de Ned Stark: um homem que olha pros outros com um ar de superioridade, como se ninguém no mundo fosse digno de estar na presença dele.

Jon Snow

Jon se torna um personagem muito bom de acompanhar nos livros seguintes, mas neste aqui ele é quase tão pé no saco quanto o pai. Passa o livro quase todo se sentido inferior por ser bastardo e se sentido superior por ser filho do Ned Stark. Talvez tenha sido minha única decepção, pois na série eu torcia bastante por ele.

Catelyn Stark

Catelyn é a típica mãe leonina que faz de tudo pelo bem dos filhos, se eles concordam com isso ou se outras pessoas vão sair feridas na história é totalmente irrelevante. Apesar de ser a Senhora de Winterfell, já teve que aguentar muita coisa, como ser prometida pra um cara e ter que casar com o irmão dele, e ser obrigada a viver com o marido esfregando seu bastardo na cara dela (fico imaginando os olhares de nojo e reprovação que ela deve ter lançado pro Jon durante toda a vida dele).

Bran Stark

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Quem não gostou do Bran no livro ou na série provavelmente tem uma pedra no lugar do coração. Talvez eu goste tanto dele por ser tão novinho e precisar amadurecer na marra e conseguir fazer isso da melhor maneira possível, talvez por eu também gostar de escalar coisas quando era criança, ou talvez eu só tenha sentido pena mesmo.

Gosto muito do capítulo em que ele pega Jaime e Cersei: “Dentro do quarto, um homem e uma mulher lutavam. Estavam ambos nus. (…) Observou, assustado e de olhos esbugalhados, com a respiração apertada na garganta. O homem tinha uma mão entre as pernas da mulher, e a devia estar machucando, porque ela começou a gemer, com voz profunda”. HAHAHAHAHA crianças inocentes <3, saudades dessa época.

Daenerys Targaryen

Daenerys é tudo o que Sansa Stark poderia ser se aprendesse alguma coisa. A mesma amiga que me obrigou a ler isso aqui disse que gosta da Daenerys porque a cada 10 burrices ela faz 1 coisa MUITO foda. Ao final de cada capítulo dela eu já verificava quantas páginas faltavam pro próximo, foi a parte que mais me empolgou no livro. A cena em que ela choca os ovos de dragão (último capítulo do livro) é muito boa, as descrições das transas dela com o Drogo também.

Arya Stark

Arya provavelmente é ariana. É a filha rebelde que se pudesse escolher teria nascido menino. É o oposto de Sansa, logo, é minha Stark preferida. Fim.

Tyrion Lannister

Lendo esse livro tive a impressão de que o Tyrion do livro é uma pessoa, o da série é outra. Na série ele já começa na cama com várias putas e não consegue passar um dia sem, nesse livro eu nem lembro se ele deita com alguma, mas se isso acontece demora muito tempo (apesar de que no livro ele faz questão de passar a imagem de devasso). Todos os passos dele são muito bons, ele sempre consegue dar um jeito de sobreviver quando já está praticamente com a espada na garganta. O julgamento por combate no Vale de Arryn é minha luta preferida de todo o livro.

Obs. 1: Fiquei muito feliz por não termos o ponto de vista de Robb Stark, acho que nem o próprio Martin aguentaria a chatice que ia sair.

Obs. 2: Nymeria e Fantasma são meus lobos preferidos.

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